Transportadora catarinense amplia a frota com 12 novos Scania Super, destaca redução de até 16% no consumo e aposta em eficiência, gestão e valor de revenda para sustentar o crescimento da empresa
Para quem olha de fora, a relação entre a GAV Transportes e a Scania pode parecer uma escolha de marca. Para Geison Debatim, proprietário da empresa, ela é resultado de uma combinação bem mais prática: experiência, números e planejamento.
Hoje, a transportadora catarinense tem 50 caminhões próprios, dos quais 45 são Scania, e se prepara para ampliar a frota com a chegada de mais 12 unidades até o fim de 2026. Com a incorporação dos novos Scania 420 R Super, a GAV chegará a 62 veículos, mantendo uma frota jovem, com idade média de três anos.
Por trás desses números está uma operação que acompanha de perto o consumo de combustível, os custos por quilômetro, a manutenção, o valor de revenda e até o desempenho dos motoristas. E, segundo Geison, é justamente nessa combinação entre paixão pela marca e racionalidade na gestão que a Scania vem fazendo sentido para a GAV.
“Além de paixão, são números. Os números podem mostrar algo contra, mas com Scania eles casam”, destaca o empresário.
O legado continua
A preocupação com eficiência acompanha Geison desde que ele entrou no transporte, em 2013. Filho de um transportador, ele acompanhou de perto a realidade do pai antes de decidir comprar seu primeiro caminhão e fazer do transporte o seu plano B de vida.
Ao longo dos anos, viu a evolução dos modelos Scania — do 112 e 113 ao G 380 e às gerações mais recentes — e passou a comparar não apenas o desempenho dos veículos, mas também o impacto de cada escolha no negócio.
Hoje, segundo ele, a diferença de consumo entre os modelos Super e a geração NTG chega a pelo menos 10%. Em determinadas condições, o ganho pode ser ainda maior. “Do Super para NTG, pelo menos 10% de redução. Para o PGR chega a 15% e 16%”, afirma.
Os caminhões da GAV rodam entre 15 mil e 17 mil quilômetros por mês, com médias superiores a 3,80 km/l. Em uma operação de cargas de alto valor agregado, como é a da transportadora, esses números têm impacto direto no resultado. “Os custos estão apertados no transporte. Tem guerra variando preço de diesel que é commodity que o transportador não tem influência nenhuma, e aí o Super faz diferença”, analisa. Um teste realizado pela empresa ajuda a traduzir essa diferença em algo ainda mais concreto. “Fizemos o comparativo em uma viagem para a Bahia, um Scania Super e um R 450, ambos novos e transportando a mesma carga. Na primeira abastecida, a diferença chegou a 180 litros. É muita coisa”, revela.
Além do combustível
Para Geison, a análise de um caminhão não termina no consumo. Valor de revenda, custo de manutenção e tempo de permanência na frota também entram na conta.
A experiência da GAV mostra, segundo ele, que os caminhões Scania vendidos pela empresa foram negociados por valores acima da tabela Fipe. É um aspecto que ganhou ainda mais importância à medida que a empresa passou a trabalhar com ciclos de renovação mais curtos.
“O pequeno transportador tem que estar muito atento a isso. A oferta de crédito de algumas marcas é constante, mas o que você vai ter para vender quando quitar esse caminhão? E quanto esse caminhão, em cinco anos, está variando na tabela Fipe?”, questiona.
A própria experiência com outras marcas reforçou essa percepção: “Tive experiência com outra marca e ficou claro para mim que tenho que ter Scania e mais uma marca e não fugir disso.”
Hoje, a GAV tem em sua frota modelos como G 370, R 450, R 450 Plus, 420 Super, 460 Super e 500 Super. A estratégia é manter os veículos jovens e transformar a renovação em parte do planejamento do negócio.
Gestão que chega até o motorista
A busca por eficiência também passa pela forma como a empresa acompanha a operação. A GAV utiliza a conectividade da Scania e criou um ranking interno de desempenho dos motoristas. “Quando o sistema foi implantado, 30% dos motoristas estavam na classe E. Hoje, a empresa não tem mais profissionais nessa categoria: a classificação está concentrada entre A, B e C”, conta.
Para o empresário, acompanhar os indicadores é importante, mas reconhecer quem está na ponta também faz diferença. “Premiar o motorista que está na ponta também faz diferença. Não consigo estar no coração de todo motorista, mas no bolso eu consigo”, sinaliza.
A tecnologia também tem papel importante na segurança. Geison destaca o pacote ADAS e o impacto que os recursos de assistência à condução podem ter em situações de perda de atenção. “Com pacote ADAS é maravilhoso. Dirigir depois de um tempo, a atenção diminui. O pacote ADAS traz a atenção de volta”, ressalta.
O treinamento acompanha essa evolução. “Você comparar um NTG 2021 e um Super de hoje é outro caminhão. Então, ter profissional atualizado, treinando nossos motoristas, faz muita diferença”, detalha Geison.
Mantendo o padrão
A GAV Transportes atua com cargas de alto valor agregado, principalmente eletrodomésticos, cargas de e-commerce e cargas que necessitem de carretas blindadas. A operação está concentrada em Santa Catarina e conta também com filiais em São Paulo, Bahia, Pernambuco e Espírito Santo.
Nesse cenário, Geison destaca a importância de encontrar o mesmo padrão de atendimento em diferentes pontos da rede Scania. “Quando tem problema fora da base, você encosta na concessionária e a pessoa responsável aqui intermedia tudo. Não importa a concessionária: é a mesma avaliação da base, a gente tem o mesmo atendimento. A mesma condição que tenho na base, tenho na rede. Isso agiliza muito”, destaca.
A disponibilidade de peças também pesa na operação. Em um caso recente, após um caminhão tombar, a empresa passou por uma avaliação para decidir entre recuperar ou substituir a cabine. O veículo voltou a rodar em cerca de 15 dias. “Qual é o fabricante que tem essa condição? Não tem! Sabemos que algumas montadoras levam 90 dias para chegar uma peça”, conta.
Para Geison, essa combinação de produto, atendimento e suporte ajuda a explicar uma relação que foi construída conforme a GAV cresceu. “Comecei comprando porque ou começa com Scania ou não começa”, orgulha-se.
Mais doze a caminho
A próxima etapa dessa história já está definida. Até o fim de 2026, 12 novos Scania 420 R Super, na configuração cavalo-toco 4×2, devem chegar à GAV em uma operação realizada em parceria com o Scania Banco.
Com eles, a frota própria chegará a 62 caminhões. A empresa pretende vender os veículos mais antigos, atualmente com cerca de cinco anos, e utilizar os recursos na estratégia de renovação.
O movimento acompanha também uma leitura atenta do mercado. Com grande parte do faturamento ligada ao e-commerce, a GAV observa o avanço do consumo digital e das importações, além das oportunidades que podem surgir com a integração cada vez maior entre Brasil e os demais países do Mercosul. “Estamos olhando com muita atenção para esse mercado”, afirma o empresário.
Ao mesmo tempo, Geison acompanha a evolução das novas tecnologias de transporte. Hoje, considera que o gás ainda não se encaixa na realidade da operação, principalmente pela infraestrutura de abastecimento e pelo tempo de parada. Já para o elétrico, vê um caminho de evolução pela frente. “Tenho esperança de que isso vai acontecer com o elétrico. Bateria com maior autonomia, sistema de recarga mais rápido, até mudar o conceito de continuar elétrico, mas com alimentação diferente de ser bateria.”
A expansão da GAV, portanto, não acontece apenas pelo aumento do número de caminhões. É resultado de uma gestão que procura medir cada decisão e transformar experiência em planejamento. Foi assim desde o primeiro caminhão. E continua sendo agora, quando a empresa se prepara para colocar mais 12 Scania nas estradas.
Texto: 528 Comunicação com Propósito.